Correntes marítimas e a circulação oceânica

Autores: Lucas Garcia Martins, Raphaela A. Duarte Silveira, Thais R. Semprebom e Douglas F. Peiró



Antes de falarmos de correntes marítimas, precisamos entender o que são massas d’água. Massas d’água são grandes quantidades de água do mar com uma origem determinada. Devido às condições oceanográficas, meteorológicas e geográficas (salinidade, pH, temperatura, circulação de ar, descarga fluvial, índices pluviométricos, composição do leito oceânico e latitude e longitude) apresentarão características distintas de temperatura, salinidade, densidade das demais massas de água. E as correntes, o que são? As correntes são os movimentos de circulação dessas massas d’água pelos oceanos tropicais, temperados e polares.



Ilustração esquemática na qual são observadas as correntes marítimas e a formação de ciclones ao longo dos oceanos devido à força gravitacional. Fonte: Karl-Ludwig Poggemann/ Wikimedia Commons (CC BY 2.0).



CORRENTES MARÍTIMAS E O CLIMA, O QUE TÊM A VER?


O ponto de onde se originam as correntes vai definir se elas serão correntes quentes ou correntes frias e isso é de suma importância em relação a sua interação com a atmosfera. As correntes quentes possuem um índice de evaporação muito maior que as correntes frias. Desta forma, os locais de passagem delas são bastante chuvosos, pois muito vapor d’água se concentra na atmosfera, formando as nuvens e a precipitação. Já as correntes frias são o oposto. Em decorrência da baixa temperatura e alto calor específico da água, ela gera pouca umidade, logo, os ambientes próximos de onde circulam são geralmente secos.


De maneira geral, elas possuem a função de distribuição de temperaturas quentes em ambientes muito frios e esfriam ambientes muito quentes, assim tem-se a regulação da temperatura global. Esses movimentos de correntes quentes e frias pelo planeta recebem o nome de circulação oceânica.



Ilustração da circulação superficial oceânica global. As setas azuis representam correntes frias, as vermelhas são as correntes quentes e as regiões roxas são as áreas de encontro de correntes frias e quentes. Fonte: Miraceti/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).



PRINCIPAIS CORRENTES MARÍTIMAS DO MUNDO


Vamos falar agora sobre as correntes mais conhecidas, começando pelas correntes quentes Equatorial do Norte e Equatorial do Sul. Elas atravessam o oceano Atlântico, passando da África para a América, trazendo grandes massas de água com 25 ºC. Temos também a corrente das Guianas, a corrente fria das ilhas Malvinas e a corrente da Guiné. O que elas apresentam em comum é o fato de estarem no oceano Atlântico.


Partindo para o oceano Pacífico, encontramos a corrente de Karushio, também chamada de corrente negra devido a suas águas serem escuras; a corrente do Pacífico Norte, a corrente das Aleutas, a corrente do Peru, também chamada de corrente Humboldt, e a corrente El Niño.


As massas de água de maior volume transportadas pelas correntes oceânicas de superfície ocorrem nas correntes do Golfo e na Circumpolar Antártica, e cada uma delas transporta em média 100 milhões de metros cúbicos de água por segundo. Talvez seja dificil mensurar isso como muito ou pouco, mas quando vemos a relação de que 1 metro cúbico de água equivale a mil litros e essas correntes transportam 100 milhões de metros cúbicos, basta multiplicar e temos 100 bilhões de litros de água sendo transportados por essas correntes por segundo.


A maior parte das outras correntes transportam quantidades menores de água, como a do Brasil, que transporta em média 14 milhões de metros cúbicos por segundo. Contudo, são volumes muito grandes se comparados ao volume transportado pelo rio Amazonas por exemplo, que atinge apenas 225 mil metros cúbicos por segundo, ou seja, 225 milhões de litros de água por segundo.


Isso nos faz perceber o quão vastos são os oceanos e que ainda há muito para se estudar e aprender acerca de todos os processos físicos, químicos e biológicos que os moldam. É a partir desses estudos que entendemos as correntes, como funcionam e sua importância, sobretudo para preservação e conservação dos organismos marinhos.




Bibliografia


BARNERS, Harold. Oceanography: The Basic of Oceans Waves. In: BARNERS, Harold. Oceanography and Marine Biology. University Marine Biological Association: Crc Press, 1995. p. 192-225.


CASTRO, Peter. Características químicas e físicas da água do mar e o oceano global: A circulação dos oceanos. In: CASTRO, Peter. Biologia Marinha. 8. ed. Porto Alegre: Mc Graw Hill, 2012. Cap. 3. p. 40-58.


GOMES, Abilio Soares. O Ambiente Marinho: Circulação Oceânica. In: PEREIRA, Renato Crespo. Biologia Marinha. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Interciência, 2009. Cap. 1. p. 1-34.


Assine a lista exclusiva e receba novidades!

© 2020 Instituto de Biologia Marinha Bióicos