Recifes de coral: os corais e o fenômeno do branqueamento

Variedade de corais na Grande Barreira de Corais da Austrália. Fonte: Toby Hudson/WikimediaCommons (CC BY-SA 3.0).

 

 

Os corais podem até parecer plantas, mas não são! São formados por animais cnidários, parentes das anêmonas e das águas-vivas. Uma particularidade dos corais é que, diferente dos seus primos gelatinosos, esses animais possuem um esqueleto interno formado por carbonato de cálcio, que é construído durante toda sua vida. A parte bonita e colorida que vemos é uma camada fina de tecidos, formando muitos pólipos. Pólipos, por sua vez, são os indivíduos que formam um coral, cada qual com uma boca e muitos tentáculos no entorno, todos unidos e vivendo juntos em uma colônia. Abaixo deles encontra-se o esqueleto, que vai sendo depositado conforme o coral vai crescendo, correspondendo à maior parte do volume do coral.


As muitas espécies de corais juntas, depositando seus esqueletos e sustentando uma grande variedade de outros animais e algas, são chamadas de recife de coral. Em outras palavras, os recifes são estruturas criadas pela ação dos corais, sobre as quais eles e muitos outros organismos crescem. Um exemplo da dimensão que podem chegar é a Grande Barreira de Corais, na Austrália, que alcança 2.000 km de extensão.


Os recifes ocorrem nas águas rasas e translúcidas de regiões tropicais do planeta, pois preferem lugares mais quentes e com mais luz. Isso porque os corais têm associações com microalgas, conhecidas como zooxantelas, que vivem entre seus tecidos e precisam da luz para fazer fotossíntese. Apesar de a maioria dos corais ser carnívora e capturar o alimento com seus tentáculos, é dos produtos da fotossíntese dessas algas que vem a maior parte da sua nutrição. Além disso, são as zooxantelas que dão aos corais as diversas cores que eles exibem, pois seus tecidos são translúcidos.

 

 

MAS POR QUE É QUE ELES ESTÃO FICANDO BRANCOS?


Até aqui, tudo ok, falamos um pouco sobre os corais. Mas por que é que eles estão ficando brancos?


Acontece que, entre alguns outros fatores, os corais e suas microalgas zooxantelas são muito sensíveis à variação de temperatura. Um aumento de apenas alguns graus na temperatura média do oceano pode fazer com que as microalgas tornem-se tóxicas ao coral que, para se defender, acaba expulsando-as. Uma vez que seus tecidos são transparentes, ao perder as algas, o coral passa a exibir a cor do seu esqueleto: branca. Por isso, esse fenômeno é conhecido como “branqueamento dos corais”.


Mas o problema do branqueamento não é apenas a perda das cores. Ao expulsar as algas, o coral perde também sua principal fonte de alimento. Se o estresse (no caso, o aumento da temperatura) durar pouco e for pouco intenso, as zooxantelas podem voltar a habitar o coral e este se recupera. Porém, se o estresse for prolongado, o coral acaba morrendo de inanição (literalmente, ele morre de fome).


Eventos de branqueamento de corais em massa vêm sendo observados em diversos lugares do mundo. Isso sugere que esse fenômeno esteja fortemente relacionado com o aquecimento global.

 

Sequência de fotos mostrando um mesmo recife de corais ao longo do tempo (antes, durante e depois do branqueamento), na Samoa Americana. Saudável (à esquerda) em dezembro de 2014; morrendo (no meio) em fevereiro de 2015; morto (à direita) em agosto de 2015. Fonte: NOAA Coral Reef Watch.

 

 

E QUEM É QUE PERDE COM ISSO?


Todos, inclusive os seres humanos!


Os recifes de coral são os ecossistemas marinhos de maior biodiversidade e por isso possuem importância biológica muito grande. Fisicamente falando, eles fornecem proteção às regiões costeiras, inclusive em diversas áreas do Brasil, contra a ação de ondas e tempestades. Por serem tão diversos e abundantes, os recifes coralinos são a base de uma complexa teia alimentar. Eles abrigam uma grande variedade de organismos e funcionam como verdadeiros criadouros de peixes, inclusive de espécies utilizadas na alimentação humana. Acabar com os recifes significa também acabar com boa parte dos estoques pesqueiros.


Também por isso, os ambientes coralíneos favorecem a reposição de populações de áreas densamente exploradas, principalmente no caso de áreas protegidas, e são importantes pontos turísticos, favorecendo o setor do ecoturismo. Além de tudo isso, muitas espécies de corais produzem inúmeras substâncias químicas que estão sendo utilizadas em pesquisas na área da farmacologia.

 

 

QUER SABER MAIS?


O documentário “Em Busca dos Corais” (em inglês, “Chasing Coral”), lançado em 2017 pelo Netflix, traz imagens espetaculares do mundo subaquático e aborda com mais detalhes o fenômeno assustador do branqueamento dos corais. Vale a pena assistir!

 

Cartaz do documentário “Em Busca dos Corais”. Fonte: Netflix ©.

 

 

 

Bibliografia

 

GERLING, C.; RANIERI, C.; FERNANDES, L.; GOUVEIA, M. T. J.; ROCHA, V. (Orgs.). Manual de Ecossistemas Marinhos e Costeiros para Educadores. Santos: Editora Comunicar, 2016. [Rede Biomar].

 

RUPPERT, E.E.; FOX, R.S.; BARNES, R.D. Zoologia dos Invertebrados. 7ª ed. Editora Roca, São Paulo. 2005.
 

ZILBERBERG, C. et al. (Org). Conhecendo os Recifes Brasileiros: Rede de Pesquisas Coral Vivo. Rio de Janeiro: Museu Nacional, UFRJ, 2016.

 

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